Dificilmente um qualquer outro ministro geriria uma situação como a da gripe A melhor do que Ana Jorge.
Tão ponderada quanto directa, contrasta com os desbocados ministros seus pares que, quando colocados perante cenários de crise, mais pareciam um elefante que a formiginha trabalhadora que se precisa.
Porém Ana Jorge ontem esqueceu-se que a sociedade da comunicação mata pelos mesmos meios que promove. E que tudo o que diz é passado a pente fino. Denunciou, sem indicar as culpadas, mães criminosas a dissiminar a doença (que é um crime punido pela Lei nacional).
Ora uma ministra não pode dizer que sabe da existência de um criminoso sem o indicar e entregar à justiça. Isto a menos que desonheça as suas identidades ou, pior, falasse sem ter a certeza da verdade dos factos enunciados.
O lapsus lingue, porém, até podia ter passado incólume na silly season, em que também os paineleiros estão a banhos e pouco ou nada há a comentar.
Mas aqui entrou o bobo da corte, esse ente pegajoso, de que ninguém gosta, mas a que temos que estar atentos, até porque são elevadas as suas ambições políticas.
Sem perder mais uma oportunidade de se pôr em bicos de pés (um problema de dimensão geográfica?) Pinto Monteiro apontou logo a fusca e prometeu investigar.
Está a cumprir o seu papel, dirão os mais benevolentes.
Está a criar um caso para, mais uma vez, se tornar no protagonista do mesmo, digo eu.
Melhor andaria se pussesse em dia a inúmeras investigações que tem entre mãos e que, como ainda ontem se viu, prescrevem a um ritmo nunca visto na não justiça do seu MP.
Mas o roubo do ouro no Minho ou polícia assassinado na Amadora não garantem o mesmo protagonismo que o de colocar em cheque uma Ministra (por sinal das melhores que a saúde já teve)